American Gods por Neil Gaiman

American GodsEsse livro não estava na minha lista de leitura, basicamente porque eu já o tinha lido há alguns anos atrás, quando ele foi lançado por aqui. Acontece que logo depois que eu cheguei aqui em são paulo, eu fiquei sabendo pelo próprio Gaiman que o American Gods estaria concorrendo a um projeto chamado One Book, One Twitter, criado por Jeff Howe, um dos editores da Wired. O projeto é basicamente um clube de leitura mundial, usando o twitter para discutir o livro. Assim, AG acabou sendo o livro escolhido para essa primeira rodada do grupo, e eu resolvi reler o livro.

Interessantemente, esse foi o primeiro livro que eu li do autor, e é um dos livros mais difíceis de descrever sobre o que é. O enredo é razoavelmente simples: Shadow, um presidiário nos estados unidos, está nos últimos dias da sua pena de 3 anos, e é libertado um dia antes, com a grave notícia de que sua esposa morreu num acidente de carro, e a pessoa que lhe daria seu antigo emprego, também estava no veículo, deixando o protagonista em liberdade, sem ter para aonde ir. Coincidentemente, aparece um senhor misterioso chamado Wednesday que lhe oferece emprego de assistente e eventual guarda-costas. Sem nenhum outro objetivo em mente, Shadow aceita o trabalho e aos poucos percebe que está se envolvendo numa disputa entre dois grupos que vivem à margem da sociedade humana: de um lado os deuses antigos, levados para os EUA através da crença dos imigrantes que foram para a famosa terra das oportunidades, e que agora se vêem moribundos e esquecidos pela população em geral; do outro lado, os novos deuses, que ocupam cada vez mais a atenção da humanidade, a TV, a internet, os brinquedos tecnologicos cada vez mais atraentes. E assim, o combate que inicialmente é velado, vai chegando ao seu ápice, quando eles lutarão abertamente.

Com esse cenário, Gaiman consegue montar cenas fabulosas, como Ifrits tendo que trabalhar como taxistas me Nova York, ou deuses eslavos que tem que dividir um quitinete em Chicago. Além da miríade de referências a várias mitologias, algumas que ele visita em livros posteriores, o livro traz histórias dos diferentes períodos de imigração para o país, associadas com as crenças da época e uma discussão muito interessante de como as crenças mudam com o passar do tempo e porque nenhuma delas parece conseguir se enraizar no terreno estadounidense. Além disso, há ainda as histórias paralelas de outros personagens que permeiam o livro, sem falar na progressão do enredo principal que toma um rumo épico e muito bem construido.

Outro lado ótimo dessa releitura foi justamente reler o livro junto com as milhares de pessoas do twitter, indo atrás das referências mitológicas de cada capítulo, discutindo pontos de vista que eu não tinha reparado da primeira vez que eu li o livro. Foi uma experiência excelente, e eu pretendo repetí-la, assim que eu colocar a minha lista de leitura em dia. Se você quer acompanhar as discussões do One Book, One Twitter, siga o @1B1T2010 e as discussões no #1b1t.

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