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O Caçador de Pipas

05/30/2011

O-caçador-de-pipas-em-quadrinhos-CAPAEsse quadrinho foi presente da minha adorável Lu, que viu o filme que também foi adaptado do livro de Hosseini, e quando viu que tinham feito uma adaptação para os quadrinhos, resolveu me dar esse presente.

O livro conta a história de Amir, que cresceu no Afegnistão antes das invasões soviéticas no país. Ele ainda criança, tinha um amigo muito próximo chamado Hassan. Apesar de serem unha e carne e nunca se separarem, há uma certa inquietação em Amir, parece que ele tem inveja da coragem e da força que Hassan mostra, mais de uma vez. Mas ele ainda é muito jovem para poder processar corretamente essas sensações e acaba montando um esquema para que o pai de Hassan, que trabalha há décadas para o pai de Amir, seja forçado a ir embora. Amir nunca mais vu seu amigo de infância. Seu pai, percebe que a situação no país está deteriorando rapidamente e resolve usar seus contatos e o pouco de dinheiro que consegue levantar para fugir com Amir para o Paquistão. Lá, Amir cresce e se encanta pela filha do general Sahib, Soraya. Com a benção do general, Amir se casa com ela, e vão morar juntos com o pai de Amir, que está muito doente, sofrendo de um câncer atroz. Depois da morte do pai, eles vão para os Estados Unidos, aonde finalmente conseguem um pouco de paz. Já adulto, Amir recebe uma ligação de um velho amigo de seu pai, dizendo que ele está muito doente, e que gostaria de vê-lo uma vez mais, para le contar como ele pode se redimir de suas ações no passado. Amir agarra essa oportunidade e vai ao Paquistão, 20 anos depois de ter saído do Oriente Médio. Lá, Rahim lhe conta um terrível segredo: Hassan, seu amigo de infância, era na verdade seu meio irmão, que foi morto há pouco tempo pelo Taliban, mas gerou um filho Sohrab, que ainda estava em Kabul. e vivendo da forma mais precária possível. Seria a obrigação de Amir voltar à sua cidade de origem e resgatar o menino de um destinno cruel.

Muito mais do que um enredo muito triste e tocante, Hosseini nos mostra as atrocidades que foram feitas com o povo afegão, sem saber o que é mais repreensível: a estúpida ambição soviética ou o extremismo religioso dos Talibans. Como os próprios seres humanos podem ter tanto descaso por seus semelhantes e tomar suas vidas em nome de algo tão sem sentido como um pedaço de terra ou delírios de grandeza religiosos. É realmente incompreensível que haja tanta violência de todos os lados, e todos eles dizendo que estão do lado de “Deus” ou Allah, ou o que quer que eles acreditem que os levem a tirar a vida, essa sim sagrada, dos outros. Essa jornada é ainda mais imersiva pela arte fabulosa e ao mesmo tempo delicada de Fabio Celoni e Mirka Andolfo

Scott Pilgrin contra o Mundo

04/27/2011

Scott Pilgrim Contra o MundoEsse demorou para terminar porque a Companhia das Letras fez o favor de demorar meses para publicar o último volume da série, que aqui saiu dividida em 3.

A história é a seguinte, Scott fica muito interessado na estado-unidense Ramona Flowers, mas para poder namorar com ela, ele terá que enfrentar seus 7 ex-namorados do mal. Se este enredo parece um pouco surreal, não é de se espantar, pois ele se encaixa perfeitamente no resto do mundo levemente estranho da HQ, que é muito mais parecida com um video-game que o nosso: ele ganha pontos de experiência quando arruma um trabalho, sobe de nível quando descobre o amor e ganha moedas quando derrota seus inimigos.

Com um traço simples e com várias referências aos video-games, rpgs e um pouco de rock, Scott nos leva a uma jornada bem interessante.

Oceano

03/02/2011

Mais um livro da leva do ano passado. Acho que comprei depois que voltei da Austrália, junto com a penca de gibis atrasados, que sairam por aqui enquanto estava fora.

A história se passa num futuro distante, aonde os humanos já conquistaram todos os planetas do sistema solar. O detetive Nathan Kane, especialista da ONU em armas exóticas, é requisitado para comparecer em Europa, uma lua de Júpiter, com a superficie inteira composta por água e gelo, recebendo o nome de planeta oceano. Na órbita dessa lua, está a estação Cold Harbor, cuja missão é exatamente explorar o planeta Oceano e responsáveis pela chamada de Kane ao satélite. Abaixo da espessa camada de gelo, os cientistas da estação encontraram várias capsulas com passageiros que são muito semelhantes aos seres humanos e algumas construçōes enormes, que não se sabe qual o propósito. Não bastando isso, a maligna corporação Doors, que também tem uma estação em órbita do satélite, conseguiu traduzir as transmissōes que estavam vindo de dentro da superfície e ativar um dispositivo que parece uma arma de escala planetária, e o diretor da Doors no local pretende usar essa arma para proveito próprio.

Obviamente, Warren Ellis sabe como criar uma história captivante e muito bem escrita, como em RED e Transmetropolitan. O estranho aqui é que parece uma história encomendada. Parece que falaram para ele “Eu quero uma história de detetive futurista com uma boa quantidade de clichês e quanto mais piada sobre a Microsoft, melhor”. É sério, as piadas estão presentes até quase o fim da história e uma delas, que os empregados da Doors são zangãos acéfalos, é parte do cerne do enredo. Vai ver ele estava tendo problemas com o Word e resolveu extravasar sua fúria de maneira criativa. De qualquer forma, é uma boa história de detetive e vale a pena ler.

CSI:Estágio de Risco

02/24/2011

Mais um da lista de gibis que eu comprei depois de voltar da Austrália. Esta adaptação com estilo mangá, traz uma nova perspectiva à famosa série CSI original, estabelecida em Las Vegas.

Somos apresentados a um grupo de estagiários que são contratados para o famoso departamento de perícia de Las Vegas. Eles vão ajudar a inverstigar um assassinato bem particular: um dos próprios candidatos ao estágio foi encontrado morto, pouco antes deles terem sido contratados.

É uam história boa de maneira geral, e o traço é bom, apesar de alguns personagens, como Sara e Nick ficarem um pouco diferentes do que eu esperava. Outro problema é a existência de alguns possíveis furos no enredo, que quebram um pouco o ritmo da história. De forma geral, uma boa história de detetive.

Metropolis por Osamu Tezuka

02/24/2011

Para tentar diminuir a gigantesca fila de gibis que estava se formando em casa, eu decidi ler só quadrinhos por enquanto, até que fique de um tamanho menor. Isso por outro lado, só faz aumentar a fila de livros para ler, mas isso é um problema para outra hora.

Um dos primeiros dessa lista, em nenhuma ordem particular é Metropolis do genial Tezuka, que é na verdade muito diferente do que eu esperava, já que pensava que seguia bastante o enredo do anime de 2001.

Na história do mangá, Duque Red, líder da organização criminosa conhecida como Partido Red, encomenda ao professor Charles Lawton que crie um ser feito somente de células sintéticas, com a mais alta tecnologia, fazendo assim com que fosse incrivelmente poderoso e sob as ordens dele. Lawton acaba criando este ser, mas não quer entregar ele ao vilão, e resolve criá-lo como seu próprio filho, chamando-o de Michi.

É interessante como aqui, a história não é tão coesa como no anime, e se gaste muito mais tempo ao redor de Michi, e sua busca por uma identidade própria e se ele deveria se considerar humano ou robô. Um outro tema forte, que aparece enunciado no início e no fim da história é a questão do progresso tecnológico exagerado e sem controle, que poderia trazer a destruição da própria humanidade. Após ler o mangá, é realmente muito fácil acreditar na famosa frase de Tezuka que diz que a única coisa que ele viu do do filme de Fritz Lang foi o cartaz. Isso não o impediu de criar um mundo fabuloso e uma história muito interessante.

Uma Modesta Proposta e outros contos satíricos por Jonathan Swift

01/19/2011

Eu ganhei esse livro de Natal em 2009 da minha mãe. Já conhecia o conto que dá título ao livro, mas nunca tinha lido nada do Swift. Aliás, não sabia que foi ele quem escreveu A Viagem de Gulliver, muito menos que não deveria ser considerado um livro de fantasia. Depois de tanto tempo acumulando poeira na estante, resolvi fazer uma limpa na minha lista de coisas a ler, ainda mais agora que ingressei nessa gincana de leitura.

Escritor satírico do século XVIII, com humor ácido e completamente contra os intelectualóides e pseudo-cientistas da época, Swift faz uso de ensaois fictícios para mostrar os problemas da Irlanda e do Reino Unido da Época. Uma de suas sátiras mais famosas, por exemplo, Uma Modesta Proposta, sugeria eliminar a fome e a pobreza de uma vez só: crianças de famílias pobres que não tem condições de se sustentar, ao completarem um ano de vida, seriam vendidas para as pessoas mais ricas e sofisticadas da sociedade, para servirem de alimento raro. Para dar verosimilhança ao seu ensaio, Swift entra em detalhes de como essa pode ser uma operação lucrativa para o Reino. O livro também traz contos de Swift sobre a alma, a própria forma dos ensaios e astrologia.

Nation por Terry Pratchett

01/13/2011

Eu sempre leio tudo do Terry Pratchett que eu encontro e esse foi um desses casos. Na verdade, eu vi pela primeira vez na Amazon e fiquei bem curioso já que esse é o primeiro título que não é relacionado com Discworld em anos.

Nation conta a história de um mundo muito parecido com o nosso, lá pelo fim do século 19, que enfrenta um grande cataclisma, pensado por muitos como o fim do mundo. Por causa disso, Na longa lista de sucessão ao trono do império britânico, chegamos ao número 138 que está se dirigindo para Port Mercia, ponto seguro das intempéries. Numa embarcação separada, está a filha dele, com o mesmo destino, porém vítimas de um motim e de um castigo maior da tempestade, eles naufragam numa ilha não identificada. Ao mesmo tempo, o jovem Mau, jovem da grande Nação das lihas pelágicas que está pronto para terminar seu ritual de passagem e ganhar as tatuagens de um adulto, podendo somente assim, trocar sua alma de criança por uma alma de homem. Infelizmente, um onda gigante destrói boa parte da ilha onde se encontra a Nação, deixando apenas Mau, que estava em uma ilha menor fazendo sua provação, como sobrevivente de sua tribo. Assim, é formado um casal um tanto quanto excêntrico, que além das barreiras linguísticas e culturais para conviverem, terão que descobrir o que  fazer com os outros sobreviventes que aparecem lá procurando por respostas e abrigo.

Apesar de não ter o ritmo habitual das histórias de Discworld, tem algo muito interessante no personagem de Mau, que por não ter terminado o ritual de passagem, não recebeu a alma de homem, e portanto começa a questionar o papel dos deuses na ilha e no desastre que aconteceu. Pratchett cria novamente com maestria um mundo parecido com o nosso o suficiente para nos identificarmos com ele, mas mostrando ao mesmo tempo como ele pode ser irracional e arbitrário para alguém de fora.

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